terça-feira, 19 de abril de 2011

ELEISON COMMENTS 196 (16 de abril, 2011): VIGIAI!




A situação mundial é tão grave que ouvimos vozes de que o recente
desastre no Japão, com seus cerca de 27.000 mortos em tempos de paz,
não seria um ato de Deus, mas um crime dos homens (veja-se “HAARP
tsunami” na internet). O que pode fazer um Católico para salvar sua
alma? Na verdade, ele não pode fazer muito pelo mundo, mas o mínimo
que ele pode fazer por si mesmo é vigiar, ou seja, ficar acordado.



É Nosso Senhor, no Getsémani, quem coloca o velar, isto é, o manter os
olhos abertos e não cair no sono, antes mesmo da oração. (Mt. 26,41).
A razão é óbvia. Se eu, como Pedro, Tiago e João, não vigiar (Mt.
26,43), vou deixar de rezar, talvez como no caso deles, justo quando o
Nosso Senhor mais precisa. Quantos católicos, nas décadas de 1950 e
1960, especialmente o clero, não estavam prestando atenção aos sinais
dos tempos na Igreja e no mundo, e, por isso mesmo, foram
completamente surpreendidos pela apostasia do Concílio Vaticano II?
Eis a razão pela qual os “Comentários eleison”, como o faziam as
“Cartas do Reitor”, estão constantemente falando de economia e de
política, para permitir aos católicos que permaneçam vigilantes sobre
sua religião e suas exigências, superadas de longe por suas promessas
(I Coríntios 2,9).



Por isso, um especialista em Wall Street (ver JSmineset.com,
30/03/2011) pode dizer: “O sistema financeiro está tão danificado que
não pode ser reparado. Até porque não há vontade de repará-lo, porque
os homens inteligentes sabem que é impossível. É o mundo criado pela
implosão do Banco Lehman. Não é um “Admirável Mundo Novo”... Jim
Sinclair diz que não importa quanto “dinheiro falso”, como se pode
chamá-lo, os bancos centrais possam emitir... “O dano está feito e não
há solução... Por favor, tornai-vos materialmente autossuficientes”
(ele diz, e eu assino embaixo).



Porém, mesmo os católicos tradicionais tendem a cochilar, para não
dizer “abandonar-se ao sono”. Aqui estão dois testemunhos recentes. O
primeiro é de um professor de uma escola tradicional: — “Sinto-me
terrivelmente sozinho nessa batalha, não a travada contra o inimigo no
mundo exterior, mas a que é travada dentro da Fraternidade São Pio X,
com sutileza tal que ninguém parece ter percebido. Da mesma forma que
aconteceu na Igreja, na década de ’60; a mesma mudança lenta e gradual
no comportamento”.



O segundo vem de um observador dentro do atual cenário Católico
Tradicional nos EUA: — “Tenho a impressão que a militância Católica
está em declínio. Vejo muitos Católicos Tradicionalistas,
especialmente pais de família, aceitar os maus hábitos do mundo. A
luta já não é mais importante para eles. Contentam-se em poder ter a
sua bela Missa dominical, mas, na segunda-feira, mandam seus filhos à
escola pública. Todo novembro saem de suas casas para votar no menor
dos dois males; assistem ao (conservador?) Fox News e esperam do
(conservador?) Partido Republicano a solução para todos os problemas
do mundo atual. Na minha humilde opinião, essa falta de militância
está se tornando mais e mais difundida no mundo Católico Tradicional.
Estaríamos nós (os leigos) recriando o mesmo conjunto de
circunstâncias que nos levou ao Concílio Vaticano II? É o
Católico-do-domingo, hoje, a maioria predominante no movimento
Tradicional? Receio que a resposta a ambas as perguntas seja: sim.”



De fato, não é muito mais fácil desistir de nadar contracorrente, não
é muito mais agradável cair nos “braços de Morfeu”[1]? O mínimo que se
pode fazer para si mesmo é jogar fora a televisão.



Kyrie eleison.

Mons. Richard Williamson
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[1] Morfeu é o deus grego dos sonhos. A expressão popular “cair nos
braços de Morfeu” significa entregar-se ao sono. Segundo a mitologia
grega é um sono não natural, mas induzido, daí que dá nome a uma droga
que induz ao sono: a morfina. nota da tradutora.

Um comentário:

  1. Incrivelmente verdade!

    Os "católicos de domingo" da Tradição caminham a passos largos para o modernismo, mesmo que não percebam. E o pior, são péssimos exemplos para os que começam a conhecer a Tradição.

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